É com enorme pesar que damos conta do falecimento, aos 78 anos, do Dr. Joaquim José Tato Fidalgo de Freitas que integrou o elenco de Fundadores desta Fundação.
Foi Presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental, após mais de quatro décadas de dedicação a uma área em que desempenhou atividade marcante, sendo pioneiro no desenvolvimento de atividades de Saúde Mental comunitária no distrito de Viseu, com repercussão, não apenas na Região Centro, mas no todo nacional.
Joaquim José Tato Fidalgo de Freitas

Licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra, especializou se em Psiquiatria e Medicina Desportiva, áreas onde se distinguiu com saber, rigor e uma enorme dedicação. Complementou ainda a sua formação com os mestrados em Psicoterapia Centrada no Cliente e em Psiquiatria e Psicologia Forense, sempre movido pela vontade de compreender melhor o ser humano e de melhorar os cuidados prestados.

Ao longo de mais de três décadas, primeiro no Centro de Saúde Mental de Viseu e, posteriormente, no Centro Hospitalar Tondela Viseu, onde foi médico, chefe de serviço e diretor de departamento, contribuiu decisivamente para o desenvolvimento dos serviços de saúde mental, inspirando colegas, formando profissionais e promovendo uma visão humanista e moderna da Psiquiatria.

O seu trabalho ultrapassou as paredes do hospital: coordenou a saúde mental na Administração Regional de Saúde do Centro e participou ativamente na elaboração do Plano de Ação para a Reestruturação e Desenvolvimento dos Serviços de Saúde Mental em Portugal, tendo sido dirigente destacado da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Saúde Mental e da Sociedade Portuguesa de Suicidologia.

Foi também professor — na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e na Escola Superior de Saúde Jean Piaget — deixando em muitos estudantes o exemplo da curiosidade intelectual e do respeito pelo doente.
Mas o seu legado não se esgota na medicina.

As distinções que recebeu — a Medalha de Mérito da Ordem dos Médicos, a Medalha de Prata do Ministério da Saúde e o diploma de Mérito Olímpico pela participação nas Olimpíadas de 1976 — são testemunhos públicos do valor da sua obra. Mas talvez o maior reconhecimento seja o respeito, a gratidão e a admiração daqueles que com ele trabalharam, aprenderam e foram por ele ajudados.

Hoje recordamos não apenas o médico, o professor, o dirigente ou o voluntário.

Recordamos, acima de tudo, o homem que fez da sua vida um compromisso com os outros, que nunca desistiu de melhorar o que o rodeava e que foi sempre um exemplo de serviço, ética e humanidade.
Obrigado, Dr. Joaquim José Tato Fidalgo de Freitas, pelo legado que deixa e pelo testemunho de dedicação que sempre inspirou em todos que consigo tiveram a oportunidade de privar.